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  • gilberto soares

Yellow Kid abre a porta para Pantera Negra


Aliás, ferramentas paradidáticas renováveis nos troca-trocas dominicais, apesar da intolerância intelectual, que as via como meio de expressão simplório.


Sou de um tempo de memórias. Gosto de livros, aprecio jornais impressos e adoro gibis. Ah, e lembro com carinho do seriado Perdidos no Espaço.

Cresci sob o embalo do mass media (conjunto de meios de comunicação) predominante nas décadas de 1960/1970. Amplitude no rádio, reflexão no jornal, comportamento na tevê, escapismo no cinema. E imaginação solta nas revistinhas de leituras prazerosas. Aliás, ferramentas paradidáticas renováveis nos troca-trocas dominicais, apesar da intolerância intelectual, que as via como meio de expressão simplório. Não estávamos “nem aí” para a “intelligentsia” e curtíamos a tradição antecedente às sessões de cinema. E líamos, e viajávamos.

Como Comunicação continua a ser o tema deste espaço, recupero detalhes da invenção de uma linguagem que popularizou os jornais. Escrevo sobre arte sequencial (expressão criada por Will Eisner), que só não é belas-artes por puro preconceito.


CARACTERÍSTICAS. Relatos da Caverna de Lascaux, na França, quadros e vitrais da via-sacra de igrejas milenares têm em comum o formato da narrativa. Os quadrinhos criados pela indústria jornalística dos Estados Unidos também. Apesar de eras distantes, os jornais norte-americanos utilizaram-se da similar “narrativa ilustrada”¹ em seus suplementos dominicais para conquistar a massa semialfabetizada e os imigrantes no começo do século XX. Acertaram de vez em 1925, quando Richard Outcalt criou Yellow Kid (O garoto amarelo) e as característica definidoras: “balões” nos diálogos e periodicidade em jornal (New York World). A partir daí, as “strips” (tiras) “viralizaram” naquele país e mundo afora como quadrinhos, gibis, HQs etc. A força do humor simples (“comics”) ainda estimulou a renovação das "bandes dessinées" europeias, produtos mais complexos.


DUO. Em 1929, Dick Calkins, surpreendeu com Buck Rogers, ficção científica de sucesso nas “strips” e no cinema. A dobradinha de mídias consolidou-se com Flash Gordon, de Alex Raymond; The Lone Ranger (Zorro (?), por aqui), de George Trendle/Frank Striker; Mandrake, de Falk/Davis; e outros. O duo poderoso fez a ficção atuar sobre a realidade. Zé Carioca, por exemplo, foi uma criação diplomática para aproximar o Brasil dos Estados Unidos na II Guerra Mundial. Contracenou com Pato Donald, vingou e brilhou na telona. E mais: Mickey tornou-se ícone mundial, Asterix virou símbolo francês e a Mônica marcou a criatividade brasileira.

Personagens viraram marcas.


MENINO. O dinamismo da linguagem pop acelerou as mudanças. O humor simples deu passagem à narrativa sofisticada, densa e humana para atender aos adultos. Heróis introspectivos como Homem Aranha, angustiados como Batman e inclusivos como Pantera Negra ganharam lugares privilegiados. Movimento que se acentuou com o sucesso de Mulher Maravilha e o combate à misoginia preponderante em uma área “masculina” até então.

HQs, “contação' de histórias” como expressão singela de humanidade, reinventou-se em álbuns refinados para continuarem em cartaz. Como história dentro da história, personagens de todos os tempos e fãs de todas as idades unem-se para agradecer a um certo menino amarelo.


¹Enciclopédia dos Quadrinhos, de Goida e André Kleinert